2026 Agora · paradeiro provável: Miami, Flórida

A rota da fuga de Flávio Bolsonaro e os 24 anos antes dela

Edição especial Quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Paradeiro provável · agora

Flávio Bolsonaro cruzou para a Argentina; o jato seguiu rumo a Miami

O jato com destino a Miami fez escala no Equador; o pouso estava previsto para a manhã de 28/10. A chegada não teve confirmação oficial.

Miami, Flórida --desde que venceu o prazo para entregar os passaportes (27/10, 11h)

Mas essa viagem não começou dois dias depois da eleição.

Ela começou há 24 anos.

Role para voltar no tempo: cada parada mostra o cargo que Flávio ocupava, onde estava, o que se investigava ao redor dele naquele momento e quem estava junto. Até o dia em que ele entrou na política.

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2026Senador (PL-RJ) e candidato a presidente

Na frente no primeiro turno, derrotado no segundo

Senador (RJ) e candidato a presidente · 45 anos · PL

Flávio em reunião da Comissão de Segurança Pública do Senado, em plena campanha (1º set 2026)
Flávio em reunião da Comissão de Segurança Pública do Senado, em plena campanha (1º set 2026) · Foto: Geraldo Magela/Agência Senado, CC BY-SA 4.0

Em 4 de outubro, Flávio terminou o primeiro turno em primeiro lugar, com 56,1 milhões de votos (47,03% dos válidos), contra 45,16% de Lula.

No segundo turno, em 25 de outubro, Lula teve 51,79% e Flávio, 48,21%: foi a primeira vez, no atual período democrático, que quem terminou o primeiro turno atrás venceu o segundo. Na noite da eleição, Flávio disse ser "impossível reconhecer o resultado" e falou em pedir a anulação, sem apresentar provas de fraude. No dia seguinte, segundo a CNN Brasil, desistiu do pedido, e o PL disse aceitar o resultado.

Sete minutos depois de o TSE confirmar matematicamente a reeleição de Lula, a PF pediu a apreensão dos passaportes dele. Moraes atendeu na mesma noite. Dois dias depois, ele estaria fora do país.

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FontesTSETSEPoder360Al JazeeraPoder360

O inquérito do amigo advogado

Senador (RJ) e candidato a presidente · 45 anos · PL

Em plena campanha, veio a público um segundo inquérito no STF contra Flávio: a PF apura suspeita de lavagem de dinheiro na relação dele com o advogado Willer Tomaz. O caso nasceu de uma investigação sobre bets e fintechs e examina, entre outras coisas, viagens de Flávio pagas por empresas de Tomaz.

Em 23 de outubro, Moraes bloqueou até R$ 6 bilhões de empresas ligadas a Tomaz, que está em Miami desde agosto, e cancelou os passaportes do advogado. No mesmo dia, Eduardo Bolsonaro disse num programa americano que, se o irmão perdesse, era a favor de que ele saísse do país.

Foi nesse inquérito que, na noite de 25 de outubro, a PF apontou risco de fuga e Moraes mandou recolher os passaportes de Flávio e proibiu o contato com Tomaz.

A única relação existente entre eles é a de amizade entre as famílias.

Nota de Flávio Bolsonaro sobre Willer Tomaz · CartaCapital

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FontesCartaCapitalMetrópolesPoder360Agência BrasilGazeta do Povo

"Dark Horse": o filme do pai e o dinheiro de Vorcaro

Senador (RJ) e candidato a presidente · 45 anos · PL

Em maio, o Intercept Brasil revelou áudios em que Flávio negociava com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o financiamento de "Dark Horse", filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo a reportagem, Vorcaro se comprometeu a pagar US$ 24 milhões e repassou cerca de R$ 61 milhões a um fundo no Texas ligado a um advogado próximo de Eduardo.

Flávio primeiro negou; depois confirmou o pedido como "patrocínio privado para um filme privado" e admitiu ter visitado Vorcaro depois da primeira prisão do banqueiro. Em setembro, documentos do STF mostraram que André Mendonça tinha aberto em julho uma investigação sobre Flávio por suspeita de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. A PF o descreve como "interlocutor direto" de Vorcaro.

Não há um centavo de dinheiro público. Pode revirar do avesso.

Flávio Bolsonaro, sobre o financiamento do filme · CNN Brasil

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FontesPoder360Jornal do BrasilCNN BrasilBrasil de FatoPoder360

Candidato oficial, com Milei no palco

Senador (RJ) e candidato a presidente · 45 anos · PL

Foto de candidatura a presidente da República (TSE, 2026)
Foto de candidatura a presidente da República (TSE, 2026) · Foto: Tribunal Superior Eleitoral, CC BY 4.0

Em 25 de julho, o PL oficializou a candidatura de Flávio numa convenção em São Paulo, com discurso do presidente argentino Javier Milei e um vídeo feito com inteligência artificial com mensagem de Jair Bolsonaro, que está proibido de se manifestar publicamente.

Dias antes, num almoço com diplomatas de mais de 40 países, Flávio associou urnas brasileiras à empresa Smartmatic e pediu observadores; o TSE afirmou que a empresa não fornece urnas nem software ao Brasil. Em 24 de julho, o Itamaraty negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que queriam tratar das eleições com autoridades eleitorais.

Em julho, Moraes suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio ao pai, depois que ele publicou uma carta de Jair nas redes.

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FontesAgência BrasilCNN BrasilMetrópolesJovem Pan (AFP)Agência Brasil

No Salão Oval com Trump

Senador (RJ), pré-candidato a presidente · 45 anos · PL

Em março, numa conferência conservadora no Texas, Flávio se apresentou como "Bolsonaro 2.0" e pediu que os EUA aplicassem "pressão diplomática" para que as instituições brasileiras "funcionem corretamente" na eleição.

Em 26 de maio, fora da agenda oficial, Donald Trump o recebeu no Salão Oval, com Eduardo presente. No dia seguinte, Flávio se reuniu com o vice JD Vance e com o secretário de Estado Marco Rubio, e pediu que as facções PCC e CV fossem classificadas como terroristas. O Departamento de Estado fez isso dois dias depois. Em junho, Trump publicou fotos do encontro dias após propor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

Nós não queremos interferência nas eleições brasileiras.

Flávio Bolsonaro, no mesmo discurso em que pediu pressão diplomática dos EUA (março de 2026) · Congresso em Foco

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FontesCongresso em FocoCorreio BraziliensePoder360Poder360Money Times (Reuters)CNN BrasilPoder360

2025Senador (PL-RJ)

O pai, preso, passa a "missão" ao filho

Senador (RJ) · 44 anos · PL

Em 11 de setembro, a 1ª Turma do STF condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por golpe de Estado e outros crimes. Em 22 de novembro, ele foi preso preventivamente depois de uma tentativa de violar a tornozeleira; na decisão, Moraes citou a vigília que Flávio tinha convocado para a porta do condomínio do pai. Três dias depois, Jair começou a cumprir a pena.

Em 5 de dezembro, Flávio anunciou que o pai lhe passara a "missão" de disputar a Presidência. Dois dias depois, disse que havia "um preço" para desistir, e recuou em seguida. No mesmo mês, o Senado aprovou o PL da Dosimetria, que pode reduzir penas de condenados pelo 8 de Janeiro e pela trama golpista, e a Câmara cassou o mandato de Eduardo por faltas.

Meu preço é Bolsonaro livre e nas urnas; ou seja, não há preço.

Flávio Bolsonaro, em 9 de dezembro de 2025 (tradução da citação publicada pela Al Jazeera) · Al Jazeera

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FontesAgência BrasilAl JazeeraAl JazeeraMetrópolesAgência Brasil

Eduardo nos EUA, o tarifaço e o pai em casa

Senador (RJ) · 44 anos · PL

Flávio fala em coletiva da oposição contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (5 ago 2025)
Flávio fala em coletiva da oposição contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (5 ago 2025) · Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado, CC BY-SA 4.0

Em março, Eduardo se licenciou do mandato para ficar nos EUA e buscar sanções contra autoridades brasileiras. Em julho, Trump anunciou tarifa de 50% sobre o Brasil citando o processo contra Jair; os EUA revogaram vistos de Moraes e aliados e aplicaram a ele a Lei Magnitsky. As sanções foram retiradas em dezembro.

Flávio ligou o tarifaço à anistia. Em 4 de agosto, Moraes decretou a prisão domiciliar de Jair por descumprir a proibição de usar redes sociais, citando uma ligação do pai que Flávio exibiu num ato no Rio e publicou no Instagram. Segundo Moraes, o post foi apagado depois para ocultar a violação.

Cabe a nós a responsabilidade de evitar que duas bombas atômicas caiam aqui no Brasil.

Flávio Bolsonaro, sobre o tarifaço e a anistia (julho de 2025) · O Antagonista

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FontesCNN BrasilBrasil de FatoPoder360Agência BrasilCNN Brasil

Da Flórida a Brasília, no jatinho do amigo

Senador (RJ) · 43 anos · PL

Segundo a revista piauí, em janeiro de 2025 Flávio, a mulher e as filhas voaram de Fort Lauderdale, na Flórida, para Brasília com Willer Tomaz num jato executivo de propriedade fracionada. Um terço do avião era de Tomaz e outro, de uma empresa da qual Daniel Vorcaro era sócio.

Entre fevereiro e maio daquele ano, segundo o Intercept, começaram a sair os repasses de Vorcaro para o fundo no Texas que bancaria "Dark Horse". A rota Flórida–Brasília, 21 meses depois, seria feita no sentido contrário.

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FontesCNN BrasilPoder360

2024Senador (PL-RJ)

O candidato da família perde o Rio no primeiro turno

Senador (RJ), 1º mandato · 43 anos · PL

Coletiva da oposição no Senado sobre o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes; Flávio está entre os participantes (9 set 2024)
Coletiva da oposição no Senado sobre o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes; Flávio está entre os participantes (9 set 2024) · Foto: Pedro França/Agência Senado, CC BY 2.0

Segundo a Agência Estado, Flávio e o irmão Carlos comandavam a estratégia da campanha de Alexandre Ramagem (PL) à prefeitura do Rio. Ramagem tinha sido diretor-geral da Abin no governo Bolsonaro.

Em 6 de outubro, Eduardo Paes (PSD) foi reeleito no primeiro turno com 60,47% dos votos válidos, contra 30,81% de Ramagem. No Senado, Flávio era relator da chamada "PEC das Praias" na CCJ, que teve a votação adiada em dezembro.

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FontesO Povo (Agência Estado)O LiberalPoder360

A PF volta à suspeita da "Abin paralela"

Senador (RJ), 1º mandato · 43 anos · PL

Em janeiro, Alexandre de Moraes autorizou buscas contra Alexandre Ramagem. Segundo a imprensa, a PF apurava se a Abin tinha repassado a Flávio e ao irmão Jair Renan informações sobre investigações em curso, inclusive o caso das rachadinhas.

Em julho, numa nova fase, a PF afirmou que integrantes da chamada "Abin paralela" monitoraram auditores da Receita ligados à apuração que deu origem ao caso, atrás de "podres e relações políticas" deles. Moraes tornou público o áudio de uma reunião de agosto de 2020 no Planalto entre Jair Bolsonaro, o general Augusto Heleno, Ramagem e advogadas de Flávio.

Flávio não estava na reunião e não aparece como investigado formal nas fontes consultadas.

É mentira que a Abin tenha me favorecido de alguma forma, em qualquer situação, durante meus 42 anos de vida.

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FontesCongresso em FocoBrasil de FatoO PovoExame

2023Senador (PL-RJ), na oposição a Lula

Na oposição, e agora cidadão italiano

Senador (RJ), 1º mandato · 42 anos · PL

Flávio no plenário do Senado na reunião preparatória para a eleição da Mesa, no início da nova legislatura (2 fev 2023)
Flávio no plenário do Senado na reunião preparatória para a eleição da Mesa, no início da nova legislatura (2 fev 2023) · Foto: Geraldo Magela/Agência Senado, CC BY 2.0

Com Lula de volta ao Planalto, Flávio passou à oposição. Em 1º de fevereiro, Rogério Marinho, o candidato que ele e o PL tinham lançado, perdeu a presidência do Senado para Rodrigo Pacheco por 49 votos a 32.

Segundo a resposta do governo italiano ao Parlamento da Itália, em 2025, Flávio e Eduardo tiveram a cidadania italiana por descendência reconhecida em 2023. É esse passaporte que, em outubro de 2026, ficaria fora do alcance da PF.

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FontesPoder360Gazeta do Povo

2022Senador, líder do PL e coordenador da campanha do pai

O pai perde, e ele vai à Embaixada da Itália

Senador (RJ), líder do PL e coordenador da campanha do pai · 41 anos · PL

Flávio dá entrevista no Senado (12 mai 2022)
Flávio dá entrevista no Senado (12 mai 2022) · Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado, CC BY 2.0

Flávio coordenou a campanha de reeleição de Jair Bolsonaro e era líder do PL no Senado desde junho. Quando o pai perdeu para Lula, em 30 de outubro, foi ele quem primeiro reconheceu o resultado nas redes, enquanto Jair se calava.

Nove dias depois, Flávio e Eduardo foram à Embaixada da Itália em Brasília tratar da cidadania italiana. Ele disse que o processo corria desde setembro de 2019; o governo italiano confirmou que os dois tinham entrado na fila consular em 2020.

Vamos erguer a cabeça e não vamos desistir do Brasil!

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FontesCNN BrasilMoney Times (Agência Senado)Congresso em FocoCongresso em FocoComunità Italiana

A denúncia das rachadinhas é arquivada

Senador (RJ), 1º mandato · 41 anos · PL

Com as provas anuladas pelo STJ e pelo STF, o próprio procurador-geral de Justiça do Rio pediu a anulação da denúncia. Em 16 de maio, o Órgão Especial do TJ-RJ a rejeitou e arquivou, para Flávio, Queiroz e outras 15 pessoas.

A denúncia nunca chegou a ser recebida: Flávio nunca virou réu nem foi condenado. As provas não foram examinadas no mérito, e a decisão não impedia nova investigação com provas independentes. Em fevereiro de 2025, Gilmar Mendes negou um pedido do MP-RJ para reabrir o caso.

O STJ já havia anulado todas as provas. A defesa entende que o caso está enterrado.

Luciana Pires, advogada de Flávio · Poder360

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FontesPoder360Correio Braziliense (BBC News Brasil)Poder360

2021Senador: Republicanos → Patriota → PL

Provas anuladas, foro mantido e um novo partido no mesmo dia

Senador (RJ), 1º mandato · 40 anos · Republicanos → Patriota → PL

Flávio e o advogado Frederick Wassef em coletiva no Senado após a decisão da 2ª Turma do STF (30 nov 2021)
Flávio e o advogado Frederick Wassef em coletiva no Senado após a decisão da 2ª Turma do STF (30 nov 2021) · Foto: Pedro França/Agência Senado, CC BY 2.0

2021 foi o ano em que o caso das rachadinhas desmontou nos tribunais superiores. Em 30 de novembro, a 2ª Turma do STF manteve o caso no Órgão Especial do TJ-RJ, por 3 votos a 1, e anulou quatro relatórios do Coaf pedidos pelo MP-RJ antes de Flávio ser formalmente investigado. O primeiro relatório, sobre o R$ 1,2 milhão de Queiroz, foi preservado.

No mesmo dia, Flávio se filiou ao PL, na cerimônia em que o pai entrou no partido. Em seis meses, tinha passado por três legendas: deixou o Republicanos em maio, foi para o Patriota e chegou ao PL.

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FontesPoder360Poder360Congresso em FocoPoder360

A casa de R$ 5,97 milhões no Lago Sul

Senador (RJ), 1º mandato · 39 anos · Republicanos

Flávio dá entrevista durante sessão da CPI da Pandemia no Senado (12 mai 2021)
Flávio dá entrevista durante sessão da CPI da Pandemia no Senado (12 mai 2021) · Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado, CC BY 2.0

Uma escritura pública mostrou que Flávio e a mulher, Fernanda, pagaram R$ 5,97 milhões por uma casa no Lago Sul, em Brasília: R$ 2,87 milhões de entrada e R$ 3,1 milhões financiados pelo BRB, o banco público do DF, em 360 meses.

Parte da entrada veio da venda da franquia de chocolates que o MP-RJ investigava no caso das rachadinhas.

Eu vendi um imóvel que eu tinha no Rio de Janeiro, vendi uma franquia que possuía, também no Rio de Janeiro.

Flávio Bolsonaro, sobre a origem do dinheiro · Poder360

FontesCNN BrasilPoder360

2020Senador (sem partido → Republicanos)

Denunciado como líder do suposto esquema

Senador (RJ), 1º mandato · 39 anos · Republicanos

O procurador-geral de Justiça do Rio denunciou Flávio, Queiroz e mais 15 pessoas ao Órgão Especial do TJ-RJ por organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita, por fatos de 2007 a 2018.

A denúncia aponta Flávio como líder e Queiroz como operador, e estima em cerca de R$ 6 milhões o prejuízo à Alerj. Uma ex-assessora contou ao MP que nunca trabalhou de fato no gabinete e devolvia a Queiroz quase todo o salário: cerca de R$ 160 mil entre 2011 e 2017.

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FontesCongresso em FocoCorreio BrazilienseJornal de Brasília (O Globo)

Queiroz é preso em Atibaia, num imóvel do advogado da família

Senador (RJ), 1º mandato · 39 anos · Republicanos

Na Operação Anjo, Fabrício Queiroz foi preso preventivamente num imóvel de Frederick Wassef em Atibaia (SP). Wassef era então advogado de Flávio e de Jair Bolsonaro. Segundo o MP-RJ, "Anjo" era como Queiroz e os parentes chamavam Wassef, que deixou a defesa de Flávio três dias depois.

Uma semana após a prisão, o TJ-RJ reconheceu o foro especial de Flávio, por ele ser deputado estadual na época dos fatos, e tirou o caso da primeira instância. Em julho, Queiroz foi para prisão domiciliar.

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FontesPoder360Poder360CNN Brasil

Adriano da Nóbrega é morto na Bahia

Senador (RJ), 1º mandato · 38 anos · Sem partido

Foragido desde janeiro de 2019, o ex-capitão do Bope que o MP-RJ apontava como líder da milícia de Rio das Pedras e do "Escritório do Crime" foi morto numa operação policial em Esplanada, no interior da Bahia. A versão oficial fala em troca de tiros; a família contestou.

Adriano tinha sido homenageado duas vezes por Flávio na Alerj, e a mãe e a então mulher dele trabalharam no gabinete do senador. Dias depois, Jair Bolsonaro disse que Adriano era um "herói" quando foi homenageado.

Há pessoas acelerando a cremação de Adriano da Nóbrega para sumir com as evidências de que ele foi brutalmente assassinado na Bahia.

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FontesPoder360Estado de MinasPoder360

2019Senador (PSL → sem partido)

Buscas na loja de chocolates

Senador (RJ), 1º mandato · 38 anos · PSL → sem partido

Em 18 de dezembro, o MP-RJ cumpriu 24 mandados de busca, inclusive na franquia de chocolates de Flávio. No pedido, afirmou que Queiroz recebeu R$ 2.062.360,52 em 483 depósitos de 13 servidores ligados ao gabinete, 69% em dinheiro vivo, e que contas ligadas a Adriano da Nóbrega foram usadas no esquema.

O ano tinha sido de idas e vindas no STF. Em julho, a pedido de Flávio, Dias Toffoli suspendeu em todo o país as investigações abertas com dados do Coaf sem ordem judicial. Em setembro, Gilmar Mendes suspendeu a dele. Em novembro, o plenário liberou o uso dos dados.

Também em novembro, Flávio deixou o PSL com o pai e virou vice do Aliança pelo Brasil, partido que nunca chegou a ser registrado.

Eu não tenho nada a ver com isso. Todos trabalhavam.

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FontesPoder360ConjurPoder360Congresso em Foco

Do Rio para o Senado, com o caso Queiroz a tiracolo

Senador (RJ), 1º mandato · 37 anos · PSL

Posse no Senado: Flávio (ao centro) na reunião preparatória da 56ª Legislatura (1º fev 2019)
Posse no Senado: Flávio (ao centro) na reunião preparatória da 56ª Legislatura (1º fev 2019) · Foto: Pedro França/Agência Senado, CC BY 2.0

Em 1º de fevereiro, Flávio tomou posse no Senado e deixou a Alerj depois de 16 anos; dias depois, foi eleito 3º secretário da Mesa.

O mês anterior tinha sido de revelações. Dados do Coaf mostraram 48 depósitos de R$ 2 mil em dinheiro na conta dele em 2017, feitos num caixa eletrônico da Alerj. Em 22 de janeiro, a operação Os Intocáveis mirou a milícia de Rio das Pedras e Adriano da Nóbrega, que fugiu. No mesmo dia, O Globo revelou que a mãe e a mulher de Adriano tinham sido assessoras de Flávio até novembro de 2018.

Continuo a ser vítima de uma campanha difamatória com objetivo de atingir o governo de Jair Bolsonaro.

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FontesGazeta do PovoCongresso em FocoCongresso em Foco (O Globo)

2018Deputado estadual (PSL), eleito senador

R$ 1,2 milhão na conta do motorista

Deputado estadual e senador eleito · 37 anos · PSL

Um mês depois de a Operação Furna da Onça atingir deputados da Alerj, o Estadão revelou um relatório do Coaf com movimentação atípica de R$ 1.236.838 na conta de Fabrício Queiroz entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, incluindo um cheque de R$ 24 mil para Michelle Bolsonaro.

Queiroz, policial militar, motorista e segurança de Flávio, tinha sido exonerado em outubro. O MP-RJ abriu procedimentos com base no relatório: era o começo do caso Queiroz.

Fabricio Queiroz trabalhou comigo por mais de dez anos e sempre foi da minha confiança. Nunca soube de algo que desabonasse sua conduta.

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FontesJornal de Brasília (Agência Estado)Metrópoles (Estadão Conteúdo)

Eleito senador, o mais votado do Rio

Deputado estadual, 4º mandato · 37 anos · PSL

Flávio já senador eleito, no Rio de Janeiro (29 nov 2018)
Flávio já senador eleito, no Rio de Janeiro (29 nov 2018) · Foto: Consulado dos EUA no Rio de Janeiro, Domínio público (governo dos EUA)

Pelo PSL, partido que a família adotou naquele ano, Flávio teve 4.380.418 votos (31,36% dos válidos) e ficou em primeiro na eleição para o Senado no Rio.

No mesmo dia, o pai foi ao segundo turno da eleição presidencial, que venceria em 28 de outubro. Em quatro meses, Flávio trocaria a Alerj por Brasília.

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FontesGazeta do Povo

2016Deputado estadual (PSC), candidato a prefeito

Candidato a prefeito do Rio: quarto lugar

Deputado estadual, 4º mandato · 35 anos · PP → PSC

Foto de candidatura a prefeito do Rio (TSE, 2016)
Foto de candidatura a prefeito do Rio (TSE, 2016) · Foto: Portal de Dados Abertos do TSE, CC BY 4.0

Em março, Flávio deixou o PP com o pai e o irmão Carlos, depois de 11 anos no partido, e foi para o PSC, pelo qual Jair seria lançado pré-candidato a presidente.

Na eleição para a prefeitura do Rio, teve 424.307 votos (14%) e ficou em quarto lugar, atrás de Marcelo Crivella, Marcelo Freixo e Pedro Paulo. No segundo turno, apoiou Crivella, que venceu.

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FontesWikipedia (dados do TSE)Jornal Opção

2015Deputado estadual (PP), 4º mandato

Recorde de votos, e sócio de uma loja de chocolates

Deputado estadual, 4º mandato · 33 anos · PP

O deputado estadual discursa na formatura do Grupamento de Intervenção Tática da Seap-RJ (17 dez 2014)
O deputado estadual discursa na formatura do Grupamento de Intervenção Tática da Seap-RJ (17 dez 2014) · Foto: Governo do Estado do Rio de Janeiro (Seap-RJ), CC BY 2.0 BR

Em 2014, Flávio foi reeleito para o quarto mandato com 160.359 votos, segundo dados do TSE: o terceiro deputado estadual mais votado do Rio.

Entre o fim de 2014 e março de 2015 (as fontes divergem sobre a data), virou sócio, com Alexandre Santini, de uma franquia Kopenhagen num shopping da Barra da Tijuca, comprada por cerca de R$ 1 milhão.

FontesWikipédia (dados do TSE)Jovem PanO Povo (Agência Estado)

2012Deputado estadual (PP), 3º mandato

Dois apartamentos em Copacabana

Deputado estadual, 3º mandato · 31 anos · PP

Foto de candidatura à reeleição como deputado estadual (TSE, 2010)
Foto de candidatura à reeleição como deputado estadual (TSE, 2010) · Foto: Tribunal Superior Eleitoral, CC BY 4.0

Em 2010, Flávio foi reeleito para o terceiro mandato e passou a viver com a dentista Fernanda Antunes Figueira, com quem tem duas filhas.

Em novembro de 2012, o casal comprou dois apartamentos em Copacabana, por R$ 140 mil e R$ 170 mil, de um norte-americano, e os revendeu em 2013 e 2014 por R$ 573 mil e R$ 550 mil.

Eu não posso comprar mais barato?

FontesWikipédiaMetrópolesInfoMoney

2007Deputado estadual (PP), 2º mandato

Segundo mandato: começa o período investigado

Deputado estadual, 2º mandato · 25 anos · PP

Reeleito em 2006 com 43.099 votos, segundo o TSE, e formado em Direito pela Universidade Candido Mendes, Flávio começou o segundo mandato na Alerj.

É de 2007 o marco inicial do suposto esquema de rachadinha descrito anos depois pelo MP-RJ: servidores do gabinete devolveriam parte dos salários, recolhidos por Fabrício Queiroz, que já trabalhava com ele. No mesmo ano, Danielle da Nóbrega, então mulher de Adriano, foi nomeada no gabinete por indicação de Queiroz e ficou até novembro de 2018.

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FontesWikipédia (dados do TSE)BNewsPoder360Wikipédia

2005Deputado estadual (PP), 1º mandato

A Medalha Tiradentes para um PM preso

Deputado estadual, 1º mandato · 24 anos · PP

Em outubro de 2003, no primeiro mandato, Flávio apresentou uma moção de louvor ao tenente da PM Adriano da Nóbrega, por sua "dedicação, brilhantismo e galhardia".

Em junho de 2005, propôs para ele a Medalha Tiradentes, maior honraria da Alerj. Adriano estava preso preventivamente desde janeiro de 2004, acusado de homicídio. A homenagem foi aprovada em agosto e entregue no Batalhão Especial Prisional.

Adriano foi condenado em outubro de 2005, teve o júri anulado e foi absolvido em 2007. Anos depois, seria apontado como chefe de milícia.

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FontesExame (Estadão Conteúdo)A Gazeta

2002Estudante de Direito e assessor na Câmara

Onde tudo começou

Eleito aos 21 anos, na primeira tentativa

Estudante de Direito e assessor na Câmara · 21 anos · PPB

A foto mais antiga de Flávio com licença livre: candidatura de 2006 (TSE)
A foto mais antiga de Flávio com licença livre: candidatura de 2006 (TSE) · Foto: Tribunal Superior Eleitoral, CC BY 4.0

Flávio Nantes Bolsonaro nasceu em 30 de abril de 1981, em Resende (RJ), filho mais velho de Jair Bolsonaro e Rogéria Nantes Braga, e cresceu na capital.

Aos 19 anos, segundo a BBC News Brasil, passou a ocupar um cargo comissionado de 40 horas semanais na liderança do PPB, o partido do pai, na Câmara dos Deputados, em Brasília. Ao mesmo tempo, cursava Direito na Universidade Candido Mendes, no centro do Rio, e fazia estágio na Defensoria Pública. Ele e o pai não responderam às perguntas da BBC.

Em 6 de outubro de 2002, na primeira eleição que disputou, foi eleito deputado estadual pelo PPB com 31.293 votos, segundo o TSE. O pai, deputado federal pelo mesmo partido desde 1991, com base eleitoral entre militares e policiais, foi reeleito no mesmo dia. Não há relato em primeira mão de Flávio sobre por que decidiu se candidatar.

Tomou posse em 1º de fevereiro de 2003 e ficaria 16 anos na Alerj. No primeiro ano, presidiu o colegiado que investigou um colega suspeito de ligação com o tráfico e defendeu a cassação, mas o caso foi arquivado. Dali até a fuga para a Flórida, são 24 anos.

Quem aparece

FontesICL NotíciasWikipédiaBBC News BrasilBrasil de Fato (reproduz a BBC)Wikipédia (dados do TSE)Jovem PanAcessa.com (Folhapress)

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As conexões

Quem aparece ao redor dele

Pessoas citadas nas investigações e nos episódios desta história, agrupadas pelo caso em que aparecem. Toque em alguém para ver quem é, a ligação com Flávio e a situação de cada caso.

  • Família Bolsonaro
  • Caso Queiroz / rachadinha
  • Adriano da Nóbrega
  • "Abin paralela"
  • Banco Master / "Dark Horse"
  • Willer Tomaz / INSS
  • Governo Trump
  • Quem investiga e julga

Depois da fuga

Repercussão

Lula
Presidente reeleito

Quem não deve não teme.

Chamou a fuga de "vergonhosa" e disse que Flávio "foi lamber botas dos EUA". Brasil de Fato

Guilherme Boulos
Secretaria-Geral da Presidência

Ele fugiu porque deve.

Disse que Flávio "deu um tapa na cara" dos próprios apoiadores. O POVO / DW

Rogério Marinho
Senador (PL-RN), coordenador da campanha

Disse que o partido não foi informado da viagem, mas que compreende a saída, e chamou a ordem de entregar os passaportes de "preparação de uma coisa mais persecutória". Brasil de Fato

Sergio Moro
Governador eleito do Paraná (PL)

Achou a saída "compreensível" e questionou em que tipo de país um candidato derrotado tem o passaporte apreendido no dia seguinte à eleição. O POVO / DW

Donald Trump
Presidente dos EUA

Disse que aprovaria a entrada de Flávio no país. Na segunda (26), tinha dito que a eleição "parece fraudada", sem apresentar provas. CBS News (AP)

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